quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rio de Janeiro,

minha alma chora, e a de todos n�s brasileiros, ao imaginar o medo e a ang�stia - incomensur�veis - a corroer o cora��o dos cariocas nesses dias.

Ao corroer o cora��o de todos n�s cariocas - porque sim, se somos brasileiros, somos tamb�m, para sempre, cariocas. S� entendemos o Brasil quando come�amos, ou terminamos, no Rio, sua mais perfeita tradu��o e s�ntese.

Por isso hoje choro, de corpo e alma. Vejo ve�culos incendiados em lugares por onde vivi, onde passava todo dia, ou toda semana, quando morava l�: a duas quadras de onde morei em Laranjeiras, no buraco entre os t�neis dos irm�os Rebou�as, na Cidade (que carioca n�o fala Centro), pior ainda na Penha, onde trabalhei tantos anos, no Get�lio Vargas e no M�rio Kr�eff.

(N�o preciso imaginar o desespero dos colegas m�dicos: vez por outra eu ou minha esposa fic�vamos retidos at� o dia seguinte nos hospitais).

Imediatamente pensei em quem estaria de plant�o por l�, amigos meus. Pensei nos meninos do morro que cuidavam dos carros, na ladeira do Getuli�o, na m�e que se desesperou ao ver o filho baleado, mas est�vel, aguardando cirurgia. Lembrei do tamb�m amigo Dom Rafael, ali na Igreja da Penha; seria que estar� l�, em sua resid�ncia, retido tamb�m o bom Bispo? E meus filhos, na Zona Sul?

Que a proximidade do alto o ilumine, e a tantos outros, para que possam pedir aos C�us por todos n�s, os que l� estamos e os que aqui de foram, assistem, apavorados, ao "oriente m�dio" brasileiro.

"Imagens que eu guardo na mem�ria", diria a poeta.

sábado, 2 de outubro de 2010

10 motivos pelos quais abster-me-ei de escolher quaisquer candidatos nas elei��es de amanh�

1. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto o voto for obrigat�rio, autoritarismo herdado da ditadura, ausente na maioria das democracias maduras, que n�o � debatido mais a fundo porque permite a manipula��o da popula��o, especialmente a mais carente, por candidatos demagogos e populistas (no pior sentido da palavra).

2. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto n�o houver financiamento p�blico, distribu�do de maneira igualit�ria entre candidatos e partidos, e demonstrado de maneira clara, transparente e inequ�voca para a popula��o.

3. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto o poder econ�mico, manifesto atrav�s da compra aberta de votos, for o principal determinante do resultado; ou enquanto o financiamento de campanhas por entidades privadas, lobbies e que tais for determinante das chances de um candidato se eleger - com as conseq��ncias funestas que todos conhecemos.

4. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto a sociedade permitir a elei��o de candidatos "ficha suja".

5. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto existir o voto proporcional (por partido), em um sistema pol�tico pobremente fiscalizado, no qual os partidos n�o se apoiam em ideologias e/ou legendas podem ser "compradas" ou "alugadas" ao bel prazer do poder econ�mico.

6. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto n�o houver v�nculos entre cada comunidade e seus representantes (voto distrital).

7. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto as reais possibilidades de lucros escusos atrav�s da corrup��o generalizada em todos os n�veis do governo forem o principal atrativo para o ingresso de representantes da comunidade na vida p�blica.

8. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto a impunidade para os crimes de colarinho branco for a regra no julgamento de pol�ticos comprovadamente criminosos.

9. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto aceitarmos, passivamente, a exclus�o do debate real nas campanhas pol�ticas, em especial para o Executivo.

10. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto n�o dermos condi��es de escolha racional e consciente dos candidatos por parte dos cidad�os, status que s� poder� ser adquirido atrav�s da educa��o, que deve incluir o debate pol�tico na forma��o de nossos jovens, a exemplo do que ocorre em outros pa�ses, como os EUA, onde clubes de republicanos e democratas est�o presentes nas escolas.

Por tudo isso, tenho a sensa��o de que votar - em qualquer candidato - � passar uma procura��o em branco para que, uma vez eleitos, os pol�ticos possam realizar qualquer arbitrariedade em meu nome.

O voto branco ou nulo n�o "repassa", como tantos incautos querem nos fazer crer, votos para este ou aquele partido. O resultado das elei��es vem da contagem dos votos v�lidos, ent�o meu voto branco ou nulo n�o interfere no resultado final.

Tamb�m n�o creio que a abstin�ncia eleitoral � falta de sentimento c�vico ou fuga de minhas obriga��es como cidad�o: simplesmente n�o acredito mais, depois de tantos desenganos, na classe pol�tica. "Dize-me com quem anda e te direi quem �s", diz o ditado, e acenar com um grande N�O! a tudo isto que est� a�, tamb�m � fazer pol�tica.

N�o sou alienado. Cumpro minhas obriga��es de cidad�o como m�dico e professor, participo da vida de minha comunidade, onde tenho procurado contribuir da melhor maneira poss�vel para o progresso e o desenvolvimento de meu pa�s. Este desabafo � consciente, pensado e repensado.

Espero ver um Brasil melhor e trabalho para isto. cabe a classe pol�tica, esta sim totalmente alienada das necessidades reais da popula��o, convencer-me do contr�rio.


10 motivos pelos quais abster-me-ei de escolher quaisquer candidatos nas elei��es de amanh�

1. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto o voto for obrigat�rio, autoritarismo herdado da ditadura, ausente na maioria das democracias maduras, que n�o � debatido mais a fundo porque permite a manipula��o da popula��o, especialmente a mais carente, por candidatos demagogos e populistas (no pior sentido da palavra).

2. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto n�o houver financiamento p�blico, distribu�do de maneira igualit�ria entre candidatos e partidos, e demonstrado de maneira clara, transparente e inequ�voca para a popula��o.

3. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto o poder econ�mico, manifesto atrav�s da compra aberta de votos, for o principal determinante do resultado; ou enquanto o financiamento de campanhas por entidades privadas, lobbies e que tais for determinante das chances de um candidato se eleger - com as conseq��ncias funestas que todos conhecemos.

4. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto a sociedade permitir a elei��o de candidatos "ficha suja".

5. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto existir o voto proporcional (por partido), em um sistema pol�tico pobremente fiscalizado, no qual os partidos n�o se apoiam em ideologias e/ou legendas podem ser "compradas" ou "alugadas" ao bel prazer do poder econ�mico.

6. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto n�o houver v�nculos entre cada comunidade e seus representantes (voto distrital).

7. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto as reais possibilidades de lucros escusos atrav�s da corrup��o generalizada em todos os n�veis do governo forem o principal atrativo para o ingresso de representantes da comunidade na vida p�blica.

8. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto a impunidade para os crimes de colarinho branco for a regra no julgamento de pol�ticos comprovadamente criminosos.

9. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto aceitarmos, passivamente, a exclus�o do debate real nas campanhas pol�ticas, em especial para o Executivo.

10. O processo eleitoral brasileiro jamais ser� democr�tico enquanto n�o dermos condi��es de escolha racional e consciente dos candidatos por parte dos cidad�os, status que s� poder� ser adquirido atrav�s da educa��o, que deve incluir o debate pol�tico na forma��o de nossos jovens, a exemplo do que ocorre em outros pa�ses, como os EUA, onde clubes de republicanos e democratas est�o presentes nas escolas.

Por tudo isso, tenho a sensa��o de que votar - em qualquer candidato - � passar uma procura��o em branco para que, uma vez eleitos, os pol�ticos possam realizar qualquer arbitrariedade em meu nome.

O voto branco ou nulo n�o "repassa", como tantos incautos querem nos fazer crer, votos para este ou aquele partido. O resultado das elei��es vem da contagem dos votos v�lidos, ent�o meu voto branco ou nulo n�o interfere no resultado final.

Tamb�m n�o creio que a abstin�ncia eleitoral � falta de sentimento c�vico ou fuga de minhas obriga��es como cidad�o: simplesmente n�o acredito mais, depois de tantos desenganos, na classe pol�tica. "Dize-me com quem anda e te direi quem �s", diz o ditado, e acenar com um grande N�O! a tudo isto que est� a�, tamb�m � fazer pol�tica.

N�o sou alienado. Cumpro minhas obriga��es de cidad�o como m�dico e professor, participo da vida de minha comunidade, onde tenho procurado contribuir da melhor maneira poss�vel para o progresso e o desenvolvimento de meu pa�s. Este desabafo � consciente, pensado e repensado.

Espero ver um Brasil melhor e trabalho para isto. cabe a classe pol�tica, esta sim totalmente alienada das necessidades reais da popula��o, convencer-me do contr�rio.